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Bem vindos ao meu blog *-* Aqui vocês encontrarão textos, poesias, poemas, citações, fotos, videos de grandes escritores(as), também terão o prazer de ler e conhecer as autorias de meus textos e poesias, poderão dar dicas, sugestões e ficarão antenados no mundo literário. Kisses



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Nome: Renata Real
Cidade: São Vicente - SP
Formação:Letras(Português/Inglês)
Universidade Católica de Santos



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1- "Aquelas Ilusões"
2- "Memória de minhas putas tristes"
3- "Flores, Pétalas e Segredos"
4- "Estações"
5- "Poema de sete faces"
6- "Intangível"
7- "Coração Segundo"



TCC

"A Simbologia dos personagens
em Uma Abelha Na Chuva"

Titulo do Livro: Uma Abelha Na Chuva

Autor: Carlos de Oliveira

Resumo:Romance que documenta o complexo cenário das relações entre a aristocracia, os pequenos burgueses e o proletariado rural, este livro revela um vasto repertório de recursos simbólicos. E o estudo do TCC teve como objetivo investigar a carga simbólica das personagens no romance neorrealista. Através da análise da caracterização das personagens e seus elementos, busca-se, com base na onomástica e decodificação dos signos, decifrar o rico universo simbólico em Uma Abelha na Chuva.

Palavras-Chave: Neorrealismo, Literatura Portuguesa, Símbolos, Personagens.

Em breve mais informações.




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Estações


Na casa tinha uma parreira de chuchu, tinha porcos, galinhas, coelho, largatixa, sabiá e a menina não se lembrava de ter baratas. Tinha um poço bem fundo, jogava moedas e fazia um pedido, claro que nunca nenhum foi atendido, acreditava que o poço era fundo demais e as moedas não chegavam nunca, por esse motivo nunca eram realizados. A menina tinha medo de saci- pererê ficava da janela do seu quarto escondidinha observando entre uma fresta, cada movimento do saci, ela jurava ter visto o neguinho pulando de uma perna só por detrás do bambuzal. Ninguém acreditava é claro, todos diziam que era fruto de sua imaginação. A menina tinha uma égua Carolina, ela ía duas vezes por semana buscar ovos no sitio vizinho com seus dois primos, compravam os ovos e na volta a cachorrada ía latindo atrás da carroça e quase sempre chegavam com a metade dos ovos, porque a outra metade se perdia no caminho. Tinha um pomar também com muitas laranjas, passavam a tarde correndo por entre as árvores e quando a menina e seus primos estavam cansados , sentavam todos encostados no tronco das árvores e a barriga até doía de tanta laranja. A noite não tinha muito o que fazer, então a menina deitava sobre a grama de barriga pra cima e ficava contando as estrelas, tinha as três Marias, procurava a que mais brilhava e a que mais alta ficava no céu, o que a menina mais queria era poder alcançá-las. Era divertido também brincar tentando encontrar os vaga-lumes, quando eles apareciam era motivo de alegria. A menina vivia em estado de graça, era amigo dos bezouros, das flores, das abelhas, seu amor era pleno. Chegou à primavera, logo em seguida veio o verão, depois o outono, por último e mais devassalador finalmente chegou o inverno. A menina já não era mais menina, como que no passar das estações, ela era agora uma mulher. Na casa as paredes eram pretas, os móveis escuros, um esboço do abstrato pendurado na parede, um espelho quebrado, já não era como dantes. A mulher com uma aparência exterior de sofisticação moderna ,mas no seu intimo recatada, simplória, profundamente diferente dela mesma. As estrelas não brilhavam mais com a mesma intensidade. Sua capacidade de interpretar as coisas era infinita e transgressora, agora vivia sufocada, qualquer sentimento sentido lhe causava certo estranhamento, vivia na certeza de que era incerta, uma de sua característica marcante era a instabilidade emocional, desconsiderava qualquer desejo seu, procurava a totalidade de seu corpo e sua identidade. A mulher queria um amor impronunciável, devido sua incapacidade de comunicação, sentia que alguém falava outra língua o tempo todo dentro dela, e essa perturbação era nada mais que uma mistura de vários sentimentos. Questionava a vida, sua existência, o sentimento alheio, seu discurso sempre fora baseado na tolerância. Sua vida fora uma sucessão de fragmentos ao acaso. Sempre de gosto simples, mas impactante. E as estações passavam e suas formas já não eram tão voluptuosas, salientes. A vaidade escorregou por entre os dedos do tempo e o desejo para a mulher era um desarranjo, um destempero. A mulher fechou os olhos e foi de encontro aos pirilampos.


Renata Real

Via: (SouPoesia)

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Produção: Renata Real e Gabriela Real Galli.