Bem vindos ao meu blog *-* Aqui vocês encontrarão textos, poesias, poemas, citações, fotos, videos de grandes escritores(as), também terão o prazer de ler e conhecer as autorias de meus textos e poesias, poderão dar dicas, sugestões e ficarão antenados no mundo literário. Kisses
About Me
Nome: Renata Real Cidade: São Vicente - SP Formação:Letras(Português/Inglês) Universidade Católica de Santos
"A Simbologia dos personagens em Uma Abelha Na Chuva"
Titulo do Livro: Uma Abelha Na Chuva
Autor: Carlos de Oliveira
Resumo:Romance que documenta o complexo cenário das relações entre a aristocracia, os pequenos burgueses e o proletariado rural, este livro revela um vasto repertório de recursos simbólicos. E o estudo do TCC teve como objetivo investigar a carga simbólica das personagens no romance neorrealista. Através da análise da caracterização das personagens e seus elementos, busca-se, com base na onomástica e decodificação dos signos, decifrar o rico universo simbólico em Uma Abelha na Chuva.
Palavras-Chave: Neorrealismo, Literatura Portuguesa, Símbolos, Personagens.
De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, fiz meu segundo coração, para enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tornei-me, assim, homem de dois corações. A operação sigilosa foi ignorada pelos repórteres. Eu mesmo fabriquei meu coração novo, nos fundos da casa onde moro. Nenhum vizinho desconfiou, mesmo porque sabem que costumo fechar-me em casa, semanas inteiras, modelando bonecos de barro ou de massa, que depois ofereço às crianças. Oferecia. Meus bonecos não tem arte representam o que eu quero. Fiz um Einstein que acharam parecido com Lampião. Nunca dei importância a leis de semelhança e verossimilhança, que sufocam toda a espécie de criação.
Mas como disse, fiz meu coração sem ninguém saber. E à noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo horrorizar ninguém - abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao mesmo tempo desliguei o outro.
Meu coração fora planejado para evitar padecimentos moral, e desempenhava bem a função. Assisti impassível a cenas que antes me fariam explodir em lágrimas ou protestos. Felicitei-me pela excelência. Mas aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Meu corpo tornou-se tão frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Consultei especialistas. Irredutível a dor moral, era invisível a aparelhos de precisão. Comecei a sofrer tanto com meus males carnais que a vida se tornou insuportável.
(…) Agora à noite, decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena fissura no isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos, liguei o antigo e fechei o cavername.Talvez pela falta de uso sinto que o coração velho está rateando. Que fazer? E vale a pena fazer? A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim.
De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, fiz meu segundo coração, para enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tornei-me, assim, homem de dois corações. A operação sigilosa foi ignorada pelos repórteres. Eu mesmo fabriquei meu coração novo, nos fundos da casa onde moro. Nenhum vizinho desconfiou, mesmo porque sabem que costumo fechar-me em casa, semanas inteiras, modelando bonecos de barro ou de massa, que depois ofereço às crianças. Oferecia. Meus bonecos não tem arte representam o que eu quero. Fiz um Einstein que acharam parecido com Lampião. Nunca dei importância a leis de semelhança e verossimilhança, que sufocam toda a espécie de criação.
Mas como disse, fiz meu coração sem ninguém saber. E à noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo horrorizar ninguém - abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao mesmo tempo desliguei o outro.
Meu coração fora planejado para evitar padecimentos moral, e desempenhava bem a função. Assisti impassível a cenas que antes me fariam explodir em lágrimas ou protestos. Felicitei-me pela excelência. Mas aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Meu corpo tornou-se tão frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Consultei especialistas. Irredutível a dor moral, era invisível a aparelhos de precisão. Comecei a sofrer tanto com meus males carnais que a vida se tornou insuportável.
(…) Agora à noite, decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena fissura no isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos, liguei o antigo e fechei o cavername.Talvez pela falta de uso sinto que o coração velho está rateando. Que fazer? E vale a pena fazer? A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim.
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